No último ano me chamou atenção algumas notícias e comentários sobre empresas que estavam questionando, discutindo ou simplesmente aposentando o processo anual de avaliação da empresa. Muitos alegam que o processo se tornou demasiadamente exaustivo, e tem agregado pouco valor às mudanças que as empresas precisam fazer.

 

Para entender melhor o problema, conversei com alguns colegas e líderes organizacionais, de diferentes empresas, e percebi que na verdade ninguém estava questionando o objetivo (avaliar a empresa anualmente), mas sim o processo de avaliação! O que é muito diferente.

 

Hoje, as mudanças do ambiente interno e externo estão mudando cada vez mais rápido, e, portanto, os objetivos e as metas definidas no ano passado, podem já não fazer sentido no atual momento da empresa. O que faz todo sentido.

 

Em minha opinião, simplesmente “abolir a prática de avaliação anual da empresa” talvez não seja a solução do problema.

 

Empresas como a Netflix e a Adobe estão abolindo a revisão anual de metas e objetivos, e passando a fazer reuniões regulares dos líderes com suas equipes. Dessa maneira, estão descentralizando totalmente o processo de avaliação da empresa. Embora a causa seja compreensível, essa solução pode ser muito perigosa. Pode implicar em pessoas que irão simplesmente “abandonar” o processo de avaliação dando como justificativa que ele “não funciona” ou “não traz benefícios”. Afinal, se formos voltar na história, veremos que o processo de avaliação anual foi criado justamente porque as empresas não estavam fazendo essa avaliação!

 

Na verdade, acredito que seja necessário rever o processo pelo qual a avaliação anual das empresas ocorre. As empresas precisam de processos mais ágeis de planejamento, comunicação e monitoramento das metas e objetivos.

 

Vale lembrar que a avaliação anual em si não é ruim, muito pelo contrário! Ela pode ser muito saudável para os negócios, afinal, pode mudar o rumo de médio e longo prazo da organização.

 

E se nós analisarmos do ponto de vista individual, até mesmo uma atleta de alta performance precisa ter um processo de avaliação anual. O processo de avaliação anual não excluí uma avaliação mais frequente. São avaliações diferentes e com propósitos diferentes.

 

Na minha opinião, empresas que enfrentam esse problema precisam adotar um “sistema híbrido” que passa por duas soluções:

 

  1. Desenvolver rotinas mais frequentes
    Se as mudanças do ambiente (interno e/ou externo) estão mais frequentes, então precisamos de rotinas mais ágeis! Por isso, sugiro implementar rotinas de gestão mais simples, ágeis e flexíveis de avaliação mensal, bimestral ou trimestral (cada empresa deverá encontrar o período mais aderente às suas necessidades específicas), com foco em objetivos e times específicos. Ou seja, estou falando em fazer, de maneira estruturada, justamente o que empresas como a Adobe e a Netflix estão se propondo a fazer.

 

  1. Tornar o processo de avaliação anual mais enxuto
    Paralelamente à implementação de rotinas mais ágeis, é preciso também questionar e propor mudanças no processo de avaliação anual da empresa, no intuito de torna-lo mais simples e enxuto, sendo, portanto, menos cansativo para os participantes da empresa. E cada empresa deverá encontrar o melhor processo para as suas características específicas. One size does not fit all.

 

Talvez o grande erro inicial de muitas empresas, tenha sido justamente o fato de ter adotado processos de avaliação anual do estilo “One Size Fits All”.

 

Não me interpretem mal, eu realmente acredito que o processo de avaliação anual é extremamente importante para as pessoas e suas empresas. Apenas acredito que seja importante discutir, continuamente, o passado e o presente, para construirmos um futuro melhor. Precisamos apenas fazer um ajuste no processo, em virtude das mudanças que estão ocorrendo no mundo e, por isso, os processos precisam ser mais simples e ágeis, com avaliações de curto, médio e longo prazo.

 

 

Reflexões

  • Quais são as experiências da sua empresa com esse processo?
  • Como podemos melhorar o processo de avaliação anual da sua empresa?
  • Quais são os benefícios do processo de avaliação anual?

 

 

Pedro Ernesto Paro

Fundador e idealizador da Trustin – Culture That Drives Performance. Especialista em Evolução Organizacional, Mestre em Transformação Organizacional e Engenheiro de Produção pela USP. Especialista em Estratégia pela Universidade da Virgínia (USA), Finanças pela Universidade de Melbourne (Austrália) e Black Belt Lean Six Sigma pela UNICAMP. Somada à formação acadêmica, possui também experiência abrangente liderando grandes Projetos de Transformação, tendo já atuado em diferentes indústrias e empresas de serviços, nacionais e multinacionais, de médio e grande porte.

 

 

 

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